• rita4486

Quantas vezes você nasceu?


Fico imaginando se a cigarra estivesse consciente de que deixar seu exoesqueleto seria a morte para a juventude e a porta para a vida madura, o quanto custaria essa troca. O que ela ficaria segurando, e por quanto tempo, com medo desta entrega. Mesmo que o porvir fosse maravilhoso.

Ter consciência da própria troca de pele é algo que requer apoio. Como mulheres, vivemos muitas, ciclicamente. Nem sempre as aproveitamos; muitas vezes, estacionamos no meio da transição. Convenhamos, um renascimento exige muita confiança - na própria intuição, nossa guia no mar do inconsciente; em nossa história, sabendo quando algo chegou ao fim e está pronto para liberar energia para o novo; e na vida, sempre, que se alimenta da morte para poder seguir.

Será que a cigarra estacionaria em sua transição ao saber do que ela estaria abrindo mão junto com essa estrutura que lhe servia de contorno, segurança e identidade?


Bem, em algum lugar, do corpo aos sonhos, dos medos à razão, nós sabemos.

“Todas nós sabemos no fundo de los ovários quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos” (CP Estés, em Vasalisa).


Eu leio suas transições a partir de sua caminhada como mulher até aqui, e te ajudo a ler também. Para que possamos identificar quais são as passagens que te pedem travessia agora.


Acompanhar (re)nascimentos de mulheres de todas as idades tem me feito estudar a fundo a riqueza simbólica de rituais que ajudam a ancorar as imagens evocativas, os sentimentos, os medos e as entregas, as mortes e os nascimentos necessários às passagens.


O lindo, em se tratando de rituais de passagem femininos, é que contamos com a Magia.

Pois eles se ancoram em um baú de tesouros, cheio de símbolos e gestos ancestrais poderosíssimos que movem águas antiquíssimas de nossa psique. O tipo de poder amoroso capaz de milagres - como todo nascimento é.

Outro dia, uma mulher que admiro e que acompanho me perguntou que tipo de magia eu usava nos atendimentos, porque ela havia experimentado prazer genuíno em seu período pré-menstrual, pela primeira vez em sua vida. Em Terapia Menstrual, a fase lútea é a fase biográfica da Mulher Alquimia, a mulher sexual que cresce da Menina que fomos. E nós havíamos acabado de trabalhar a Menina em uma sessão de rituais. Feedbacks como esse me arrepiam; me colocam em posição de reverência e respeito pelos ciclos femininos.

Diferente da cigarra, esta mulher está trocando sua pele,

sabendo.

1 visualização0 comentário