Quando gestei e me perguntavam se eu estava “esperando nenê”, eu dizia: “olha, eu estou fazendo tudo, menos esperar”.

Ali, no escuro do meu ventre, eu me sabia cocriando uma vida que se alimentava de mim, em plena parceria com o Mistério. Ao olhar distraído, poderia parecer que eu nada fazia para o bebê se desenvolver e crescer. Mas, opa, e como eu fazia! Meu corpo abria espaço de qualidade para que uma nova pessoa se formasse em mim.
 
Um movimento grandioso acontecia em um compasso de espera e silêncio.
Minha principal ação não foi “fazer” o bebê acontecer; o que fiz foi abrir um espaço resguardado para que o bebê se desenvolvesse A PARTIR DE SI MESMO… E me pus a resguardar seu tempo de maturação, nutrindo-o, para que nascesse com saúde.
 
Eu fiz isso. Toda mulher que gesta faz isso.

Esse fazer “passivo” e contemplativo, que tanto nos convidou para confiar que a Vida encontra seus próprios caminhos quando abrimos espaço para ela pulsar naturalmente.
 

Se foi assim que nossos filhos surgiram e saíram de nós para o mundo, por que seria diferente com qualquer outra gestação – de nós mesmas, de uma nova decisão, de uma nova carreira?

 
“Que saudades de mim”.
“Cadê a vontade de fazer outra coisa que não estar com meus filhos?”
“Alguém importante se foi. Esse alguém era eu.”
“Eu fiz a escolha de sair do trabalho para maternar. Estou onde queria. Por quê não vivo esta escolha de maneira relaxada, prazeirosa?”
“Meus sonhos e projetos se perderam.”

 
Essas foram falas ditas por muitas mulheres em ciclos do CGM - Coaching em Grupo para Mães.

Elas ecoaram em mim, e elas evocaram em mim a imagem de uma Pausa. Assim, no feminino. Como se a vida como eu a conhecia tivesse ficado em stand by em algum lugar no ar. E eu estivesse ansiosa por buscar chão, tendo que tirar sentido disso tudo – pra ontem.
 
Como se eu tivesse que apertar o play e me desfazer da pausa para ver minha vida “engrenar” de novo.
Como se eu precisasse “fazer acontecer” para criar um novo sentido para tudo o que estou vivendo agora.
 
Se você reconhece que há pausa em alguma dimensão da sua vida – conjugal, profissional, materna, espiritual –, quero te convidar para ver o avesso dela: a pausa não como ausência de movimento, mas como um tipo específico de movimento.

A pausa como um movimento de CONFIANÇA NAQUILO QUE PEDE PRA NASCER, que vai nascer a partir do que se apresenta NO PRESENTE, e que está sendo maturado.
 

Pra se conectar com aquilo que pede para vir em mim – novos caminhos, uma nova identidade, um novo plano, decisões importantes – é fundamental pausar. E relaxar na pausa. Contemplar o que se apresenta no momento presente da sua vida. E confiar.
 
Fiquei inspirada para escrever sobre o movimento na pausa porque hoje eu consegui meditar de manhã, coisa que fiz diariamente por muitos anos e que desde que o Ivo nasceu ainda não tinha tido disposição para fazer. Aproveitei que ele me acordou às 5h e voltou a dormir na sequência, e escolhi estar comigo em silêncio, desperta, em vez de dormindo. ;-)
 
Sentar-me de manhãzinha em silêncio, ao nascer do sol, na intenção de me encontrar comigo mesma sem nada a fazer foi de uma simplicidade tão bonita que mudou a qualidade do meu dia inteiro. Me trouxe insights. Reforçou a escuta do meu Ventre. Me centrou.
 
A beleza do movimento na pausa é que ele não é o de “fazer a mudança acontecer”, mas de abrir espaço (interno) para que a mudança aconteça a partir de si mesma.
 
Esse movimento é complementar ao protagonismo de desenhar ações e empreendê-las. Mas vamos falar disso em outro momento.
 
Agora, está em primeiro plano olhar para a delicadeza e a potência da pausa como geradora de mudanças significativas. A pausa é grávida. Ela é um TEMPO FORA DO CRONOGRAMA em que a mudança pode acontecer no tempo de amadurecimento que ela precisa. Organicamente.
 
Abrir um espaço relaxado de pausa e silêncio me dá chance de ver o que me acontece de novos ângulos. Possibilita que emoções decantem e clarezas emerjam. Abre espaço para a inspiração chegar e me nutrir com insights criativos sobre toda essa novidade que quer nascer a partir de mim.
 
A simples abertura de um espaço relaxado no meu dia já é uma ação. Assim como fizemos para conceber nossos filhos. =)
 
Esta atitude, profundamente feminina, pede de nós uma coisa singela: CONFIANÇA em que a mudança vai brotar na medida mesmo em que eu relaxo.
 
Então…
 
… Como tenho relaxado no meu dia a dia?
… Faço as coisas como se estivesse de sobreaviso e/ou consigo fluir com o que se apresenta?
… Como tenho respirado? Como posso respirar para relaxar?
… Em geral, como está meu humor?
… Que novos espaços de pausa e relaxamento posso abrir para me encontrar comigo mesma?

 
 
Dê um crédito a esse movimento na pausa. O que está acontecendo no momento presente é precisamente a materia prima que vai forjar seu vir-a-ser. Observe. Silencie. Relaxe. Mesmo que for por 2 minutos por dia, num momento só seu. Experimente. Depois, venha aqui contar como foi.
 

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