Você nasceu.
E, se você nasceu, é porque alguém te aceitou e recebeu.

Provavelmente, este é o evento mais importante da sua vida ;-)

E, no entanto, esse fato — o fato materno de que há alguém que aceita e recebe e cuida e cria outro alguém — não parece ter a mesma importância socialmente. O lugar da mãe continua sendo dentro de casa, invisível. As atividades envolvidas em criar um filho permanecem nebulosas - "mas você não trabalha, então, só fica em casa com a criança?”. O assunto “maternidade" continua girando apenas em círculos de mães. Como se ser responsável por um ser humano, o sumo da atividade parental, fosse tarefa secundária numa sociedade, de foro privado, sem relação com nada que seja social — e, portanto, sem relação com o mundo produtivo, do trabalho.

Aí, nasce seu filho.

Frente à vida que rebenta e floresce viva, cheia de possibilidades, você se pergunta: o que é prioritário, mesmo?

Acompanhar o crescimento dessa nova pessoa, desse novx cidadão, estar por perto. Ver seu filho ganhar corpo, ganhar mundo. Poder estar lá por elx. Poder crescer com elx.

E, claro, poder trabalhar.

É aí que o caldo entorna.

Eis o que muitos têm chamado de “dilema materno”: conciliar maternidade e carreira.

A questão não é resolver esse dilema e seguir a vida.
A questão é: que sistema de relações criamos que força esta situação ser um dilema?

E por quê é um dilema atribuído à mulher, como se fosse uma questão apenas dela, colocando nas mãos dela a escolha entre criar um filho e se desenvolver profissionalmente?

Preparei uma série com um panorama da questão Maternidade & Trabalho, pra expandir nossa visão sobre o assunto e abrir caminhos possíveis para que não só a gente concilie essas duas dimensões vitais, mas também nossos filhxs e netxs.
 
E, pra abrir os paladares, posto uma matéria da (amiga querida) documentarista Eliza Capai, em um especial para o Canal Futura: Políticas Públicas que Deram Certo. Na matéria, Eliza retrata os efeitos sobre a sociedade sueca produzidos pela lei que garante 480 dias de licença PARENTAL: mais de 1 ano de licença em que pais e mães podem dividir os dias para, igualmente, exercer a tarefa de cuidar de seus filhxs. Dá o que falar. Falemos! 

Onde mãe é mãe e pai não é paca - Sala de Notícias - Canal Futura Na Suécia, país que tem a maior licença parental do mundo, 480 dias, tentamos entender como isto impacta nas relações de gênero e na sociedade.

Comment